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    Duff

    Page 7
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      (Casey ). Eu só tive m eu coração partido um a vez, m as tinha sido m ais do que

      suficiente. Então, na verdade, assistir a Desejo e reparação com m inhas am igas

      fez com que eu m e desse conta de com o deveria ser grata por ser um a Duff.

      Bem irônico, né?

      Infelizm ente, ser um a Duff não m e poupava de enfrentar dram as

      fam iliares.

      Cheguei em casa em torno da um a e m eia da tarde seguinte. Ainda estava

      m e recuperando de ter passado a noite fora — j á que ninguém tinha dorm ido —

      e quase não conseguia m anter os olhos abertos. Mas a visão da m inha casa em

      estado de com pleta devastação m e acordou. Vidro quebrado espalhado no chão

      da sala de estar, a m esinha de centro virada com o se tivesse sido chutada e —

      dem orei um m inuto para registrar isso — garrafas de cervej a espalhadas pelo

      côm odo. Por um segundo fiquei paralisada na porta, pensando que tivesse sido

      um assalto. Então escutei o ronco alto do m eu pai em seu quarto no fim do

      corredor e entendi que a verdade era pior.

      Não m orávam os em um a casa im pecável, então era totalm ente aceitável

      andar pelo carpete de sapatos. Mas hoj e era, na verdade, necessário. O vidro,

      que eu deduzi ser das várias fotografias em olduradas quebradas, estalava sob

      m eus pés enquanto m e dirigia à cozinha para pegar um saco de lixo para lim par

      esse caos.

      Me senti estranham ente entorpecida enquanto andava pela casa. Sabia que

      devia estar surtando. Quer dizer, m eu pai esteve sóbrio por quase dezoito anos, e

      as garrafas de cervej a deixavam totalm ente claro que essa sobriedade estava em

      perigo. Mas eu não sentia nada. Talvez porque não soubesse com o m e sentir. O

      que poderia ter sido ruim o suficiente para fazê-lo voltar a beber depois de tanto

      tem po?

      Encontrei a resposta sobre a m esa da cozinha, bem guardada dentro de um

      envelope de papel pardo.

      — Papéis de divórcio — m urm urei enquanto exam inava o conteúdo do

      pacote aberto. — Que porcaria…? — Olhei para a assinatura arredondada da

      m inha m ãe em um estranho estado de choque. Quer dizer, bom , eu tinha visto o

      fim chegando — quando sua m ãe desaparece por m ais de dois m eses, você

      acaba tendo essa sensação, m as agora? Sério? Ela nem tinha ligado para m e

      avisar! Ou a m eu pai. — Droga! — m urm urei, com os dedos trêm ulos. Meu pai

      não tinha percebido que isso ia acontecer. Meu Deus, não era de estranhar que

      ele de repente voltasse a se em bebedar. Com o ela pode fazer isso com ele?

      Conosco.

      Dane-se. Sério. Ela que se dane.

      Deixei o envelope de lado e fui até a despensa onde guardávam os os

      produtos de lim peza, lutando contra as lágrim as que ardiam nos m eus olhos.

      Agarrei um saco de lixo e fui para a sala de estar destruída.

      Veio tudo j unto, com o um a pancada, fazendo com que um nó fechasse

      m inha garganta enquanto eu pegava um a das garrafas de cervej a vazias.

      Minha m ãe não ia voltar para casa. Meu pai estava bebendo de novo. E eu

      estava literalmente j untando os cacos. Peguei os estilhaços de vidro m aiores e as

      garrafas vazias e j oguei-os no saco, tentando não pensar na m inha m ãe. Tentando

      não pensar sobre seu provável bronzeado perfeito. Tentando não pensar no cara

      latino de vinte e dois anos com quem ela provavelm ente estava transando.

      Tentando não pensar na assinatura perfeita que ela fizera nesses papéis do

      divórcio.

      Estava com raiva dela. Com tanta, tanta raiva! Com o é que ela podia fazer

      isso? Com o é que podia sim plesm ente m andar os papéis do divórcio? Sem voltar

      para casa ou nos avisar? Será que ela não sabia o que isso faria com m eu pai? E

      ela não tinha nem pensado em m im . Muito m enos ligado para m e preparar para

      isso.

      Naquela hora, enquanto m e m ovim entava na sala de estar, decidi que

      detestava m inha m ãe. Detestava-a por sem pre estar longe. Detestava-a por ter

      nos chocado com esses docum entos. Detestava-a por m achucar m eu pai.

      Enquanto carregava o saco de lixo cheio de porta-retratos destruídos até a

      cozinha, fiquei pensando se m eu pai havia conseguido destruir aquelas

      lem branças, as dele com a m inha m ãe, que as fotos tinham capturado.

      Provavelm ente não. Por isso é que ele precisara do álcool. Quando nem isso

      tinha apagado o rosto da m inha m ãe de sua cabeça, ele devia ter dem olido a sala

      com o um bêbado louco.

      Eu nunca tinha visto m eu pai bêbado, m as sabia por que ele tinha parado de

      beber. Tinha ouvido papai conversar com m inha m ãe sobre isso algum as vezes,

      quando era pequena. Aparentem ente, m eu pai ficava com um tem peram ento

      ruim quando estava alto. Tão ruim que m inha m ãe ficara assustada e pedira a ele

      que parasse. O que acredito que explicava a m esinha de centro virada.

      Mas a ideia de m eu pai bêbado… apenas não conseguia registrá-la. Quer

      dizer, nem conseguia im aginá-lo usando um palavrão pior do que droga. Mas um

      tem peram ento ruim ? Não conseguia im aginar.

      Só esperava que ele não tivesse se cortado com algum desses estilhaços de

      vidro. Quer dizer, não o culpava por aquilo. Culpava m inha m ãe. Ela era a

      responsável por aquilo tudo. Mam ãe tinha ido em bora, desaparecido, sem ligar,

      sem avisar. Meu pai nunca teria essa recaída se não tivesse visto esses

      docum entos estúpidos. Ele ainda estaria bem . Assistindo TV e lendo o Hamilton

      Journal. E não dorm indo de ressaca.

      Fiquei dizendo a m im m esm a para não chorar enquanto colocava a m esinha

      de centro em pé e passava o aspirador para tirar os estilhaços m enores de vidro

      do carpete. Eu não podia chorar. Se chorasse, não teria nada a ver com o fato de

      que m eus pais estavam se divorciando. Isso não era nenhum a surpresa. Não teria

      nada a ver com ter saudade da m inha m ãe. Ela estava longe há tem po dem ais

      para isso. Não teria nem sido um a form a de lam entar a fam ília que tive um dia.

      Estava satisfeita com a vida que levávam os, só m eu pai e eu. Não. Se chorasse,

      seria por raiva, por m edo ou outra coisa totalm ente egoísta. Eu teria chorado pelo

      que isso significava para mim. Eu precisava ser adulta agora. Eu precisava cuidar

      do m eu pai. Mas nesse m om ento m inha m ãe, vivendo com o um a estrela em

      Orange County, estava agindo com um egoísm o suficiente para nós duas, por isso

      precisava deixar as lágrim as de lado.

      Acabara de em purrar o aspirador de volta para a lavanderia quando o

      telefone sem fio com eçou a tocar.

      — Alô? — disse.

      — Boa tarde, Duff.

      Ai, droga. Eu tinha esquecido que precisava trabalhar com Wesley naquele

      proj eto estúpido. De todo m undo que podia ver naquele dia, por que precisava ser

      ele? Por que esse dia tinha que piorar ainda m ais?

      — São quase três da tarde — disse ele. — Estou m e arrum ando pra ir até aí.

      Você m e pediu pra ligar antes de ir… estou apenas sendo atencioso.

      — Você nem sabe o que isso quer dizer. — Olhei pelo corredor na direção

      dos roncos do m eu pai. A sala de estar, em bora não parecesse m ais um a

      arm adilha da m orte, ainda não estava arrum ada, e não dava para saber qual

    &
    nbsp; seria o hum or do m eu pai quando saísse da cam a. Eu só sabia que provavelm ente

      não seria bom . Não sabia nem o que ia dizer a ele. — Olhe, pensando m elhor,

      vou até sua casa. Vej o você daqui a vinte m inutos.

      Toda cidade tem um a casa assim . Sabe, um a casa tão bacana que não com bina

      com as outras. A casa que é tão suntuosa que parece que os proprietários estão

      esfregando a riqueza na sua cara. Toda cidade no m undo tem um a casa assim , e

      em Ham ilton essa casa pertencia à fam ília Rush.

      Não sei se poderia ser tecnicam ente cham ada de m ansão, m as a casa tinha

      três andares e duas sacadas. Sacadas! Fiquei parada, olhando para ela, adm irada,

      um m ilhão de vezes sem pre que passava de carro por ali, m as nunca im aginei

      que entraria nela. Em qualquer outro dia, ficaria anim ada por vê-la por dentro

      (claro que nunca diria isso a ninguém ), porém m eus pensam entos estavam tão

      envolvidos na questão dos papéis do divórcio sobre a m esa da cozinha que não

      conseguia sentir nada além de ansiedade e tristeza.

      Wesley m e recebeu na porta da frente com um sorriso irritantem ente

      confiante. Encostou-se no batente da porta, os braços cruzados sobre o peito

      largo. Usava um a cam isa social azul-escura, as m angas dobradas na altura dos

      cotovelos. E, é claro, tinha deixado os botões de cim a abertos.

      — Oi, Duff.

      Será que ele sabia o quanto aquele apelido m e incom odava? Olhei para a

      entrada de autom óveis, que estava vazia, exceto por m eu Golf e o Porsche dele.

      — Onde estão seus pais? — perguntei.

      — Saíram — respondeu ele com um a piscadela. — Parece que som os só

      você e eu.

      Passei por ele e entrei no saguão am plo, revirando os olhos com desagrado.

      Quando m eus sapatos estavam arrum ados cuidadosam ente no canto, voltei-m e

      para Wesley, que estava m e observando com um interesse vago.

      — Vam os acabar logo com isso?

      — Não quer fazer o tour com pleto?

      — Não m esm o.

      Wesley deu de om bros.

      — Bem , quem perde é você. Siga-m e. — Ele m e conduziu para a enorm e

      sala de estar, que provavelm ente era tão grande quanto o refeitório da escola

      Ham ilton. Duas pilastras grandes seguravam o teto, e três sofás bege, com duas

      poltronas com binando, estavam espalhados pelo aposento. Em um a parede, vi

      um a enorm e TV de tela plana e, em outra, descobri um a lareira gigante. O sol de

      j aneiro penetrava através das j anelas envidraçadas, que iam do teto ao chão,

      ilum inando o espaço de form a natural e alegre. Mas Wesley virou e com eçou a

      subir a escada, para longe da sala acolhedora.

      — Pra onde está indo? — eu quis saber.

      Ele olhou para m im por cim a do om bro com um suspiro exasperado.

      — Para o m eu quarto, é claro.

      — Não podem os fazer o trabalho aqui em baixo? — perguntei.

      Os cantos da boca de Wesley voltaram -se levem ente para cim a, e ele

      enganchou um dedo no cinto. — Poderíam os, Duff, m as o trabalho sairá m uito

      m ais rápido se eu estiver digitando, e m eu com putador está lá em cim a. Foi você

      que disse que queria acabar logo com isso.

      Suspirei e subi a escada batendo os pés.

      — O.k.

      O quarto de Wesley ficava no andar m ais alto — um dos quartos com

      sacada — e era m aior do que m inha sala de estar. A cam a king-size dele ainda

      não estava arrum ada, e caixas de videogam e estavam espalhadas no chão ao

      lado do seu Play station 3, que estava conectado a um a TV enorm e.

      Surpreendentem ente, o quarto cheirava bem . Era um a m istura da colônia

      Burberry de Wesley com roupas recém -lavadas, com o se ele tivesse acabado de

      guardar a roupa lim pa ou algo assim . A estante para a qual se dirigiu estava

      abarrotada de diferentes autores, de Jam es Patterson a Henry Fielding.

      Wesley inclinou-se para observar a estante, e eu desviei os olhos do seu

      j eans Diesel quando ele tirou seu exem plar de A letra escarlate da prateleira e

      sentou-se na cam a. Fez um gesto para que m e j untasse a ele, e foi o que fiz,

      relutante.

      — Certo — disse ele, folheando sem prestar atenção no livro de capa dura.

      — Sobre o que deveríam os escrever? Algum a ideia?

      — Eu não…

      — Estava pensando que podíam os fazer um a análise de Hester — sugeriu

      ele. — Parece um clichê, m as quero dizer um a caracterização profunda. O m ais

      im portante é: por que ela teve o caso? Por que dorm iu com Dim m esdale? Será

      que ela o am ava, ou era apenas prom íscua?

      Revirei os olhos.

      — Ai, m eu Deus, você sem pre escolhe a resposta m ais sim ples? Hester é

      bem m ais com plicada do que isso. Nenhum a dessas opções tem um pingo de

      im aginação.

      Wesley olhou para m im com um a sobrancelha erguida.

      — Está bem — disse devagar. — Já que você é tão esperta, então por que

      ela fez isso? Me ensine.

      — Pra se distrair.

      Certo, talvez fosse um pouco forçado, m as eu continuava vendo aquela

      droga de envelope de papel pardo. Pensando na egoísta da m inha m ãe.

      Continuava im aginando com o m eu pai se com portaria, bêbado pela prim eira vez

      em dezoito anos. Minha m ente buscava qualquer coisa — qualquer coisa — que a

      distraísse desses pensam entos dolorosos, então será que seria ridículo dem ais

      pensar que Hester se sentia do m esm o j eito? Estava sozinha, rodeada por

      puritanos hipócritas e casada com um suj eito inglês desagradável e ausente.

      — Ela apenas queria algum a coisa pra fazer com que sua m ente se

      afastasse das coisas ruins em sua vida — resm unguei. — Um a form a de fugir…

      — Se for o caso, não funcionou pra ela. No fim , o tiro saiu pela culatra.

      Não o ouvi de verdade. Minha m ente estava recuando para um a noite não

      m uito distante, um a noite em que eu havia encontrado um a form a de tirar

      m inhas preocupações da cabeça. Lem brei-m e de com o m eus pensam entos

      tinham silenciado, deixando m eu corpo assum ir. Lem brei da bênção do vazio

      com pleto. Lem brei de com o, m esm o depois que acabou, eu estivera tão focada

      no que tinha feito que m inhas outras preocupações quase deixaram de existir.

      — … então acho que essa ideia pode fazer sentido. É definitivam ente um

      ângulo diferente, e Perkins gosta de criatividade. Podem os tirar um A.

      Wesley virou para olhar para m im , e sua expressão ficou subitam ente

      preocupada.

      — Duff, você está bem ? Você está olhando para o nada, para o espaço.

      — Não m e cham e de Duff.

      — Certo. Você está bem , Bian…?

      Antes que ele dissesse m eu nom e, acabei com o espaço entre nós.

      Rapidam ente, m eus lábios m overam -se ao encontro dos dele. O vazio m ental e

      em ocional assum iu o controle de im ediato, m as fisicam ente eu estava m ais

      alerta do que nunca. A surpresa de Wesley não durou tanto tem po quanto da outra

      vez, e suas m ãos estavam sobre m im em instantes. Meus dedos enroscaram -se

      em seus cabelos m acios, e senti a língua de Wesley na m inha boca, tornando-se

      um a nova arm a em nossa guerra.

      Mais um a vez, m eu corpo assum iu o controle com pleto de tudo. Nada exis
    tia

      nos cantos da m inha m ente; nenhum pensam ento irritante m e perturbava. Até os

      ruídos do apa-relho de som de Wesley, que estava tocando um rock ao piano que

      não reconheci, foram desaparecendo enquanto m eu tato se apurava.

      Eu estava com pletam ente consciente da m ão de Wesley, que deslizou pelo

      m eu colo e m oveu-se para envolver m eu seio. Com esforço, em purrei-o para

      longe de m im . Seus olhos estavam bem abertos quando se inclinou para trás.

      — Por favor, não m e bata de novo! — pediu ele.

      — Cala a boca!

      Eu podia ter parado aí, podia ter levantado e saído do quarto. Podia ter

      deixado esse beij o ser o final de tudo. Mas não fiz isso. A sensação entorpecedora

      que tivera ao beij á-lo era tão eufórica — era um a onda tão grande — que não

      consegui abandoná-la tão rápido. Podia detestar Wesley Rush, porém ele tinha a

      chave para m inha fuga, e naquela hora eu o queria… eu precisava dele.

      Sem falar, nem hesitar, tirei m inha cam iseta pela cabeça e j oguei-a no chão

      do quarto de Wesley. Ele não teve oportunidade de dizer nada antes que eu

      pousasse as m ãos sobre seus om bros e o em purrasse para trás. Um instante m ais

      tarde, estava em cim a dele e estávam os nos beij ando de novo. Os dedos dele

      desabotoaram m eu sutiã, e ele se j untou à cam iseta, no chão.

      Não m e im portei. Não fiquei tím ida nem inibida. Quer dizer, ele j á sabia

      que eu era um a Duff, e eu não precisava im pressioná-lo.

      Desabotoei a cam isa dele, e Wesley tirou a presilha do m eu cabelo,

      deixando as ondas castanho-averm elhadas espalharem -se à nossa volta. Casey

      estava certa. Wesley tinha um corpo incrível. A pele era lisa sobre seu peito

      esculpido, e m inhas m ãos escorregaram pelos seus braços m usculosos com

      adm iração.

      Seus lábios se m overam para o m eu pescoço, dando-m e um m om ento para

      respirar. Conseguia sentir apenas o cheiro da sua colônia assim de perto. Quando

      a boca dele desceu suavem ente pelo m eu om bro, um pensam ento surgiu em

      m eio à euforia. Fiquei im aginando por que ele não tinha m e afastado — eu, um a

      Duff — com noj o.

      Então é que m e dei conta: Wesley não era conhecido por rejeitar garotas. E

      era eu que devia estar com noj o.

      Mas a boca dele com prim iu a m inha novam ente, e aquele pensam ento

     


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