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    Duff

    Page 5
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      um braço pelos m eus om bros e m e puxou para ele. Eu sabia que era disso que

      m eu pai precisava. Ou, talvez, que nós dois precisávam os. Apenas um tem pinho

      j untos para que a casa não parecesse tão vazia. Quer dizer, eu am ava o silêncio,

      m as um a dose m uito grande dele pode enlouquecer depois de um tem po.

      — O que você acha de assistirm os a alguns episódios?

      Sorri.

      — Acho ótim o, pai.

      Mais ou m enos na m etade do prim eiro episódio, m e dei conta de um a coisa

      esquisita. Tudo bem , então, quando eu era criança, tinha um a paixonite por Alex

      P. Keaton (o personagem super-republicano de Michael J. Fox em Caras &

      Caretas), m as, doze anos depois, estava apaixonada por Toby Tucker, da

      Juventude Dem ocrata. Eu tenho um a queda por políticos ou o quê? Talvez eu

      estivesse, tipo, destinada a ser a esposa de um senador... ou talvez acabasse sendo

      a prim eira-dam a.

      Ah, não, não. Políticos não se casam com garotas Duff. Elas não ficam bem

      na plateia dos debates. E, de qualquer m aneira, eu não era do tipo que se casava.

      Tinha m ais chance de ser a Monica Lewinsky do futuro. Só precisava m e

      lem brar de, bem , queim ar os vestidos incrim inadores.

      Ei, Obam a até que era sexy para um cara velho. Talvez eu tivesse um a

      chance.

      Mordi o lábio quando papai riu de um a das piadas da série. Com o explicar

      que até m esm o Caras & Caretas m e fazia lem brar daquela palavra?

      Duff.

      Deus, Wesley e aquela palavra m aldita não m e deixavam em paz. A palavra

      estava m e provocando, até em m inha própria casa. Cheguei m ais perto de papai,

      tentando m e concentrar no episódio. No nosso tem po j untos. Em qualquer coisa,

      m enos em Wesley e naquele rótulo estúpido. Tentei esquecer daquele m aldito

      beij o e de com o eu tinha sido idiota.

      Tentei, tentei, tentei.

      E, claro, falhei m iseravelm ente.

      capítulo 5

      Quando eu estava no j ardim de infância, tive um a experiência traum ática no

      trepa-trepa. Estava no m eio do brinquedo, pendurada, quando m inhas m ãos

      ficaram suadas e escorreguei. Caí pelo que pareceu ser um quilôm etro até atingir

      o chão, encolhida. Todas as outras crianças de cinco anos riram de m im e do

      m eu j oelho arranhado e sangrando. Todas, m enos um a.

      Casey Blithe saiu do grupo de coleguinhas que m e observavam e parou na

      m inha frente. Mesm o naquela época, percebi que ela era linda. Cachos loiros,

      olhos cor de avelã, bochechas rosadas… O m áxim o da perfeição aos cinco anos

      de idade. Ela podia ser m odelo de desfiles infantis.

      — Você está bem ? — perguntou.

      — Estou — falei, entre lágrim as abundantes e quentes. Não tinha certeza se

      estava chorando por causa da dor no j oelho ou pelo j eito com o todos os m eus

      colegas riam de m im .

      — Não, não está. Você está sangrando. Deixa que eu aj udo você. — Ela

      estendeu a m ão e m e puxou. Em seguida, voltou-se e brigou com as crianças que

      estavam rindo de m im .

      Depois disso, Casey basicam ente designou-se m inha protetora pessoal,

      nunca m e deixando fora da sua vista, determ inada a m e m anter longe de

      confusões. Daquele m om ento em diante, viram os m elhores am igas.

      Claro que isso foi antes da questão da popularidade e da história das Duffs.

      Ela acabou ficando alta (quase 1,80 — a garota era enorm e!), m agra e

      deslum brante. Eu fiquei… bem , o oposto. Vendo-nos separadas, ninguém

      im aginaria que éram os próxim as. Ninguém adivinharia que a bela Rainha do

      Baile da escola era am iga da garota gorducha de cabelo cor-de-burro-quando-

      foge ali no canto.

      Mas éram os m elhores am igas. Casey ficou ao m eu lado em todos os

      m om entos. Não m e abandonou nem no com eço do ensino m édio, depois que

      m eu coração foi partido pela prim eira — e, se eu pudesse escolher, última —

      vez. Ela nunca m e deixou ficar isolada ou afundar na m inha própria tristeza.

      Apesar de poder facilm ente ter am igas m ais bonitas, m ais descoladas, m ais

      populares, ela perm aneceu com igo.

      Então, quando Casey m e pediu para lhe dar carona depois do treino de líder

      de torcida, na quarta-feira à tarde, concordei. Quero dizer, depois de tudo o que

      ela havia feito por m im nos últim os doze anos, o m ínim o que eu podia fazer era

      lhe dar um a carona de vez em quando.

      Esperei no refeitório da escola, olhando fixam ente para as paredes cor de

      laranj a e azul (o cara que escolheu as cores da nossa escola devia estar m uito

      chapado), tentando acabar m eu dever de cálculo. Estava voltando àquela

      pergunta tão velha quanto o tem po — quando é que vou usar isso na vida real? —

      quando senti a m ão de alguém no m eu om bro. Eu m e arrepiei, sabendo

      exatam ente quem estava atrás de m im .

      Ótim o. Realm ente ótim o.

      Desvencilhei-m e da m ão de Wesley e m e virei para encará-lo, agarrando

      m eu lápis com o um dardo e apontando-o para seu pom o de adão.

      Ele nem sequer piscou. Seus olhos cinzentos exam inaram o lápis com um a

      curiosidade fingida, e ele disse:

      — Interessante. É assim que você recebe todos os caras de quem gosta?

      — Eu não gosto de você.

      — Isso quer dizer que você m e am a, então?

      Eu detestava o j eito tranquilo e confiante com o ele falava. Muitas garotas

      achavam aquilo sexy, m as na verdade era só m eio esquisito. Tudo nele parecia

      dizer abuso! para m im . Eca.

      — Quer dizer que eu odeio você! — exclam ei bruscam ente. — E se você

      não ficar longe de m im , seu palhaço, vou denunciá-lo por assédio.

      — Pode ser difícil provar isso — disse Wesley. Ele tirou o lápis da m inha

      m ão e com eçou a girá-lo entre os dedos. — Especialm ente considerando que foi

      você que m e beij ou. Tecnicam ente, eu poderia denunciar você por assédio.

      Cerrei os dentes: ainda detestava até pensar nisso, e não quis nem lem brá-lo

      de que ele tinha participado do beij o com entusiasm o.

      — Devolva m eu lápis! — resm unguei.

      — Não sei — disse ele. — Com você, isso poderia ser classificado com o

      um a arm a perigosa… j unto com copos de Coca Light. Um a escolha interessante,

      aliás. Eu sem pre pensei em você com o um a garota do tipo Sprite. Sabe… sem

      graça.

      Eu só o encarei, torcendo para que ele entrasse em com bustão espontânea

      antes de pegar m eus livros e cadernos sobre a m esa. Wesley evitou m inha

      tentativa de pisar no seu pé e ficou m e observando enquanto eu m archava pelo

      corredor. Estava na m etade do cam inho para o ginásio, onde Casey, que era a

      capitã das líderes de torcida, devia estar encerrando o treino, quando ele m e

      alcançou.

      — Ah, espere aí, Duff. Era só um a brincadeira. Calm a.

      — Não teve graça.

      — Seu senso de hum or está precisando de exercício, então — sugeriu

      Wesley. — A m aioria das garotas acha m inhas brincadeiras charm osas.

      — Essas garotas devem ter um QI tão baixo que precisam tom ar cuidado

      pra não tropeçar nele.

      Ele riu.

      Aparentem ente, a engraçada era eu.

      — Ei, você n
    unca m e contou por que estava chateada naquela noite — disse

      ele. — Estava ocupada dem ais enfiando a língua na m inha garganta. Então, qual

      era o problem a?

      — Não é da sua… — com ecei, e parei de repente. — Ei! Eu não… não teve

      língua! — Um arrepio de raiva percorreu-m e quando reparei no sorriso

      m alicioso dele. — Seu filho da m ãe! Sai daqui! Céus, você está m e perseguindo?

      Pensei que Wesley Rush não corria atrás de garotas. Pensei que elas é que o

      perseguiam , certo?

      — Você está certa. Wesley Rush não corre atrás de garotas, e eu não estou

      correndo atrás de você — disse ele. — Estou aqui esperando m inha irm ã. Ela

      está fazendo um teste para o sr. Rollins. Apenas vi você no refeitório e pensei…

      — O quê? Que ia m e torturar um pouco m ais? — apertei os punhos. — Me

      deixe em paz, droga! Você j á m e deixou arrasada.

      — Com o foi que fiz isso? — perguntou ele, parecendo um pouco surpreso.

      Não respondi. Não queria lhe dar a satisfação de saber que a palavra Duff

      estava m e infernizando por causa dele. Ele ficaria feliz com essa inform ação.

      Em vez disso, corri na direção das portas do ginásio o m ais rápido que pude.

      Dessa vez ele não m e seguiu — graças a Deus. Corri para dentro do ginásio azul

      e laranj a (Ah, m eu Deus. Cores brilhantes… j á conseguia sentir a dor de cabeça

      chegando…) e sentei-m e no banco m ais próxim o.

      — Ótim o treino, garotas! — gritou Casey, do outro lado do ginásio. — Certo,

      o próxim o j ogo de basquete é na sexta-feira. Quero que todas treinem a

      coreografia, e Vikki, trabalhe nesses pontapés altos. Certo?

      Um m urm úrio geral de concordância percorreu o Esquadrão das

      Magrinhas.

      — Perfeito — disse Casey. — Vej o vocês depois, m eninas. Vam os lá,

      Panthers!

      — Vam os lá, Panthers! — ecoaram as outras líderes de torcida enquanto se

      dispersavam . A m aioria das garotas correu para o vestiário, m as algum as se

      encam inharam para as portas, conversando, excitadas, com as am igas.

      Casey veio até m im .

      — Oi, B — disse ela. — Desculpe, a gente foi um pouco além do horário. Se

      im porta se eu m e trocar antes de irm os em bora? Estou m e sentindo m eio

      fedorenta.

      — Não m e im porto — m urm urei.

      — O que há de errado? — perguntou ela, instantaneam ente desconfiada.

      — Nada, Casey. Vai trocar de roupa.

      — Bianca, estou vendo…

      — Não quero falar sobre isso. — Não ia entrar em outra discussão sobre

      Wesley com ela. Casey provavelm ente acabaria defendendo-o com o da últim a

      vez. — Estou bem , certo? — disse, suavizando a voz. — Dia longo. Dor de

      cabeça.

      Casey ainda parecia cética enquanto cam inhava, com m uito m enos

      anim ação, na direção do vestiário.

      Fantástico. Eu m e sentia um a m onstra perversa. Casey apenas queria ter

      certeza de que eu estava bem , e eu dei um esporro nela. Não deveria ter

      descarregado m inha raiva de Wesley em cim a da Casey, m esm o sabendo que

      ela realm ente acreditava que ele era a droga de um príncipe.

      Mas, quando ela saiu do vestiário de agasalho de capuz e j eans, sua

      anim ação habitual tinha voltado. Jogou a bolsa sobre o om bro e veio até onde eu

      estava sentada, com um sorriso suave e im aculado.

      — Algum as vezes não dá pra acreditar nas besteiras que escuto no vestiário

      — disse. — Está pronta pra ir, B?

      — Claro. — Peguei m eus livros e com ecei a andar em direção à porta do

      ginásio, torcendo para que Wesley não estivesse m ais rondando pelo corredor.

      Casey devia ter notado m inha ansiedade. Percebi a expressão tensa e

      preocupada no seu rosto, m as ela não puxou o assunto de novo. Em vez disso,

      contou:

      — Então, bem , Vikki vai mesmo ser conhecida na escola com o um a vadia.

      — Ela j á é.

      — Bom , é verdade — adm itiu Casey —, m as vai piorar. Ela está saindo com

      aquele j ogador de futebol… sabe, aquele fulano… Mas ela disse a um cara da

      escola Oak Hill que vai levá-lo para o Baile de Boas-Vindas da equipe de

      basquete. Não sei por que Vikki faz isso consigo m esm a. Você, Jess e eu vam os

      nos sentar nos m elhores lugares para assistir à tragédia, quando tudo vier à tona

      nessa noite. Aliás, o que vai usar no baile?

      — Nada.

      — Excitante, m as acho que não vão perm itir que entre nua, B. — Estávam os

      andando pelo labirinto de m esas do refeitório, em direção ao estacionam ento.

      — Não. Quer dizer, Jessica e eu não vam os ao Baile de Boas-Vindas —

      falei.

      — Claro que vão! — protestou Casey.

      Balancei a cabeça.

      — Jessica está de castigo. Prom eti a ela que ia pra lá e que vam os ver

      film es água com açúcar.

      Casey parecia atordoada. Em purram os a porta azul e chegam os ao

      congelante estacionam ento dos alunos.

      — O quê? Mas Jess adora o Baile de Boas-Vindas da equipe de basquete. É

      seu preferido, depois do Baile de Form atura e do Baile de Boas-Vindas da equipe

      de futebol.

      Dei um sorrizinho, contra a vontade.

      — E do Sadie Hawkins.

      — Com o eu não soube disso? O baile está chegando. Por que vocês não m e

      contaram ?

      Dei de om bros.

      — Desculpe. Nem pensei nisso. E acho que Jessica ainda está deprim ida.

      Talvez ela não queira falar a respeito.

      — Mas… agora com quem eu vou ao baile?

      — Hum , com um cara — sugeri. — Casey, com o se fosse difícil pra você

      arranj ar um par. — Pesquei a chave do carro no bolso traseiro da calça e

      destranquei as portas do m eu Golf.

      — Certo, quem diabos vai querer ir com o Pé-Grande aqui?

      — Você não é Pé-Grande.

      — Além disso — disse ela, ignorando-m e —, é m elhor ir com vocês. — Ela

      subiu no assento do carona e enrolou-se na m anta que Jessica havia usado há

      algum as noites. — Droga, B. Você realm ente precisa consertar a porcaria desse

      aquecedor.

      — Você realm ente precisa ter um carro próprio.

      Ela m udou de assunto.

      — Certo, vam os voltar para o baile. Se vocês duas não vão… será que se

      im portam de eu ser penetra no festival de cinem a de vocês? Poderia ser um a

      Noite de Pij am a das Garotas. Faz tem po que não fazem os um a dessas.

      Apesar do m eu hum or de cão, sorri. Casey estava certa. Já fazia algum

      tem po que não passávam os um a noite j untas vendo film es, e seria agradável

      estar com elas sem os problem as com os garotos ou com techno nas alturas. Pelo

      m enos um a vez, quem sabe m e divertiria em um a noite de sexta-feira. Então

      aum entei o volum e do rádio e disse:

      — Na sexta-feira da próxim a sem ana, está com binado.

      capítulo 6

      Quando a sexta-feira da nossa Noite de Pij am a das Garotas finalm ente chegou,

      eu estava m ais do que pronta para um a noite tranquila e relaxante com m inhas

      m elhores am igas… e para o lindam ente escocês Jam es McAvoy, claro. Tinha

      enfiado na m ochila um dvd de Am or e inocência que ganhara de Jessica no

      Nata
    l, um pij am a quase intacto (é, eu durm o pelada em casa, qual é o

      problem a?) e m inha escova de dente. Casey ia levar a pipoca, e Jessica tinha

      prom etido dois potes im ensos de sorvete de baunilha e chocolate.

      Com o se m eu traseiro j á não fosse grande o suficiente.

      Mas, naturalm ente, o dia não podia ser totalm ente bom . A sra. Perkins,

      m inha professora de inglês, garantiu isso durante a quarta aula.

      — Então, esse é A letra escarlate — disse ela, fechando o livro. — Vocês

      gostaram , turm a?

      Houve um resm ungo baixo de negativa, m as a sra. Perkins não pareceu ter

      percebido.

      — Bom , j á que o trabalho de Hawthorne é tão extraordinário e aplicável à

      sociedade contem porânea, quero que cada um de vocês escreva um a resenha

      sobre o rom ance. — Ela ignorou os suspiros altos. — A resenha pode ser sobre

      qualquer aspecto do livro: um personagem , um a cena, um tem a, m as quero que

      sej a bem aprofundada. Vou tam bém perm itir que trabalhem em duplas… —

      houve um burburinho de excitação na turm a — … que eu indicarei. — A

      excitação evaporou-se.

      Soube que teria problem as quando a sra. Perkins puxou a lista de cham ada.

      Isso significava que ela organizaria as duplas por ordem alfabética de

      sobrenom e, e com o não havia ninguém cuj o sobrenom e com eçasse com Q

      nessa turm a, m eu parceiro seria, evidentem ente…

      — Bianca Piper vai fazer dupla com Wesley Rush.

      Droga.

      Eu conseguira ficar longe de Wesley por um a sem ana e m eia — desde o dia

      em que ele havia m e perseguido depois da aula —, m as a sra. Perkins precisava

      estragar tudo.

      Ela m atraqueou os últim os nom es da lista antes de dizer:

      — Espero que as resenhas não tenham m enos de cinco páginas, e isso é em

      fonte 12, com espaço duplo, Vikki. Não tente trapacear de novo. — Ela riu com

      benevolência. — Agora, quero que os parceiros trabalhem em conj unto. Am bos

      têm de contribuir para a resenha. E vam os ser criativos, pessoal! Divirtam -se!

      — Im provável — sussurrei para Jessica, que se sentava na carteira ao m eu

      lado.

      — Ah, acho que você deu sorte, Bianca — disse ela. — Eu adoraria ter

      Wesley com o parceiro. Mas m eu coração pertence a Harrison. É tão inj usto que

      sej a a Casey que vai fazer o trabalho com ele. — Ela olhou para a cadeira de

     


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