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    Duff

    Page 2
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    dentes:

      — Por que estam os indo em bora tão cedo? B, são só, tipo, nove e pouquinho

      da noite.

      Jessica, em burrada no banco de trás, enrolou-se em um a m anta antiga,

      com o se estivesse em um casulo. (O aquecim ento do m eu carro era um lixo,

      raram ente funcionava, então eu deixava algum as m antas no banco de trás.)

      — Eu discuti com um a pessoa — expliquei, enfiando a chave na ignição

      com m ais força do que o necessário. — Atirei m inha Coca-Cola na cara dele, e

      não quis ficar por ali esperando a resposta.

      — Com quem ? — perguntou Casey.

      Eu estava com m edo dessa pergunta, porque sabia a reação que as m eninas

      teriam .

      — Wesley Rush.

      Dois suspiros sonhadores foram a única resposta que recebi.

      — Ah, fala sério — reclam ei. — Wesley é um babaca. Eu não suporto ele.

      Dorm e com qualquer coisa que se m exa e guarda o cérebro dentro da calça, o

      que significa que tudo ali é m inúsculo.

      — Duvido m uito — disse Casey, suspirando m ais um a vez. — Meu Deus, B,

      só você pra encontrar algum a coisa errada em Wesley Rush.

      Eu a encarei com irritação quando virei a cabeça para dar ré no

      estacionam ento.

      — Ele é um im becil.

      — Isso não é verdade — retrucou Jessica. — Jeanine contou que ele falou

      com ela recentem ente, em um a festa em que estava com a Vikki e a Angela.

      Disse que Wesley se aproxim ou e se sentou ao lado dela e que foi bastante gentil.

      Aquilo fazia sentido. Jeanine, sem som bra de dúvida, era a Duff quando

      estava com Angela e Vikki. Eu m e perguntei qual delas foi em bora com Wesley

      naquela noite.

      — Ele tem charm e — acrescentou Casey. — Você só está se com portando

      com o a Pequena Miss Cética, com o sem pre. — Ela m e deu um sorriso gentil do

      outro lado da cabine. — Mas o que diabos ele fez pra fazer você j ogar sua Coca-

      Cola nele? — Agora ela parecia preocupada. Até que enfim . — Ele disse algum a

      coisa errada pra você, B?

      — Não — respondi, m entindo. — Não foi nada. Ele só m e tirou do sério.

      Duff.

      A palavra piscava em m inha m ente quando acelerei pela rua 5. Não

      consegui contar às m inhas am igas sobre o novo e m aravilhoso xingam ento que

      acabara de ser incorporado ao m eu vocabulário, m as, quando vi m eu reflexo no

      espelho retrovisor, a fala de Wesley de que eu era a acom panhante (ou m elhor, a

      seguidora) pouco atraente e indesej ável parecia correta. O corpo perfeito, em

      am pulheta, e os olhos castanhos e doces de Jessica. A pele perfeita e as longas

      pernas de Casey. Eu não poderia m e com parar a nenhum a delas.

      — Bom , então digo que devem os ir a outra festa, j á que ainda é tão cedo. —

      sugeriu Casey. — Soube de um a em Oak Hill. Alguns universitários estão em

      casa para as férias de Natal e decidiram fazer um a farrinha. Angela m e falou

      dela hoj e de m anhã. O que vocês acham , vam os?

      — Sim ! — Jessica se aprum ou debaixo da m anta. — Claro que devem os ir!

      Nas festas universitárias há garotos universitários. Isso não seria legal, Bianca?

      Dei um suspiro.

      — Não. Pra ser sincera, não.

      — Ah, pelo am or de Deus. — Casey se inclinou na m inha direção e sacudiu

      m eu braço. — Dessa vez não vam os dançar, tudo bem ? E Jess e eu prom etem os

      m anter todos os garotos lindos longe de você, j á que evidentem ente você os

      odeia. — Ela sorriu, tentando m e fazer ficar de bom hum or.

      — Não odeio os garotos lindos — falei. — Só aquele. — Depois de um

      instante, suspirei e peguei um retorno, para seguir pela rua principal. — Tudo

      bem , vam os. Mas vocês duas m e devem um sorvete. Duas bolas.

      — Fechado.

      capítulo 2

      Não há nada m ais tranquilizador do que a paz de um sábado à noite — ou um a

      m adrugada do dom ingo. Os roncos abafados de papai ecoavam pelo corredor,

      m as o resto da casa parecia bem quieto quando entrei rastej ando, algum a hora

      depois da um a da m anhã. Ou talvez eu tivesse ficado surda com o volum e da

      m úsica na festa de Oak Hill. Sinceram ente, a ideia de perder a audição não m e

      incom odava m uito. Se isso significasse que nunca m ais ouviria techno de novo,

      tudo bem por m im .

      Tranquei a porta atrás de m im e atravessei a sala escura e vazia. Vi o

      cartão-postal sobre a m esa de centro, enviado sabe-se lá de qual cidade m am ãe

      estava agora, m as nem m e dei ao trabalho de lê-lo. Ele ainda estaria ali pela

      m anhã, e eu estava m orta de cansaço, então m e arrastei escada acim a até o m eu

      quarto.

      Reprim indo um bocej o, pendurei o casaco nas costas da m inha cadeira e

      m e j oguei na cam a. A enxaqueca com eçou a incom odar m enos quando tirei

      m eu All Star e chutei-o para o outro lado do quarto. Eu estava com pletam ente

      exausta, m as m eu TOC gritava m eu nom e. A pilha de roupas lim pas no chão,

      j unto ao pé da cam a, precisava ser dobrada antes que eu pudesse finalm ente

      dorm ir.

      Com cuidado, peguei cada peça de roupa e a dobrei com um a precisão

      em baraçosa. Em seguida, fiz pilhas separadas para cam isas, j eans e roupa

      íntim a. Por algum m otivo, o ato de dobrar a roupa am assada m e acalm ava.

      Enquanto fazia aquelas pilhas perfeitas, m inha m ente ficou m ais clara, m eu

      corpo relaxou, e a irritação que eu sentia, depois de um a noite de m úsica alta,

      repleta de babacas ricos que só pensavam em sexo, dim inuiu. A cada peça

      dobrada em sua pilha, eu ia renascendo.

      Depois que term inei de dobrar tudo, m e levantei deixando as pilhas

      separadas no chão. Tirei o suéter e o j eans, que fediam a um a noitada sufocante,

      e os j oguei no cesto de roupas suj as no canto do m eu quarto. O banho podia

      esperar até am anhã de m anhã. Estava m uito cansada para enfrentar o chuveiro.

      Antes de m e enfiar debaixo dos lençóis, dei um a boa espiada no espelho de

      corpo inteiro na parede do quarto. Exam inei m eu reflexo com novos olhos, sob

      um novo ponto de vista. Cabelo castanho-averm elhado incontrolavelm ente

      cacheado.

      Nariz

      com prido.

      Coxas

      grandes.

      Peitos

      pequenos.

      Sim .

      Definitivam ente um corpo de Duff. Com o eu não tinha notado?

      Quer dizer, nunca m e achei particularm ente atraente, e não era difícil notar

      que Casey e Jessica, loiras e m agras, eram belíssim as, m as m esm o assim … ser

      m eu o papel da am iga feia daquela dupla de garotas incríveis nunca tinha

      passado pela m inha cabeça. Graças a Wesley Rush, agora eu podia encarar essa

      realidade.

      Às vezes, a ignorância é um a bênção.

      Puxei o cobertor até a altura do queixo, escondendo m eu corpo nu da análise

      do espelho. Wesley era a prova viva de que a beleza é um a característica

      superficial, então por que suas palavras m e afetaram tanto? Eu era inteligente.

      Era um a pessoa bacana. Então, por que m e im portar se alguém m e considerava

      um a Duff? Se fosse atraente, eu teria de aguentar suj eitos com o Wesley dando

      em cima de mim. Credo! Por esse lado, ser um a Duff tinha lá suas vanta
    gens, não

      tinha? Ser pouco atraente não era assim tão horroroso.

      Maldito Wesley Rush! Não conseguia aceitar que ele tinha feito com que eu

      m e preocupasse com um a coisa idiota, sem sentido e fútil.

      Fechei os olhos. Não pensaria nisso am anhã. Não pensaria nessa palhaçada

      de Duff nunca mais.

      O dom ingo foi fantástico: agradável, tranquilo, um a delícia do com eço ao fim .

      Óbvio, as coisas costum avam ser bem calm as quando a m inha m ãe não estava

      em casa. Quando ela estava, o lugar era m ais barulhento. Sem pre tinha m úsica

      ou risadas ou algum a bagunça acontecendo. Mas parecia que ela ficava em casa

      pouco m ais de alguns m eses seguidos e, no m om ento em que saía, o silêncio

      retornava. Com o eu, m eu pai não era lá um a pessoa m uito sociável. Ele

      costum ava ficar enfiado no trabalho ou assistindo à televisão. E isso significava

      que a casa da fam ília Piper era bem silenciosa.

      E, na m anhã seguinte a um a noitada barulhenta e infernal, um a casa

      tranquila era o m ais próxim o que eu poderia chegar do céu.

      Mas a segunda-feira foi um a droga.

      Todas as segundas-feiras são um a droga, claro, m as aquela segunda-feira

      realmente foi horrenda. Com eçou logo cedo, quando Jessica apareceu na aula de

      espanhol com o rosto m arcado por lágrim as e m áscara para cílios.

      — Jessica, o que foi? — perguntei. — O que aconteceu? Está tudo bem ?

      Eu adm ito; sem pre fiquei m aluca nas poucas vezes em que Jessica chegava

      à sala de aula parecendo estar m enos do que incrivelm ente feliz. Quero dizer,

      Jessica estava sem pre saltitante, sem pre dando risadinhas. Por isso, quando ela

      chegou com um ar tão deprim ido, fiquei apavorada.

      Jessica sacudiu a cabeça tristem ente e desabou em sua carteira.

      — Tudo bem , m as eu… eu não posso ir ao Baile de Boas-Vindas! — Mais

      lágrim as brotaram em seus grandes olhos cor de chocolate. — Minha m ãe m e

      proibiu!

      Era isso? Ela m e deu esse susto por causa daquela bobagem de Baile de

      Boas-Vindas?

      — Por que sua m ãe proibiu? — perguntei, ainda na tentativa de ser

      sim pática.

      — Estou de castigo. — Jessica deu um a fungadela. — Ela viu m eu boletim

      no m eu quarto hoj e cedo, descobriu que fui reprovada em quím ica e teve um

      ataque! É m uito, m uito inj usto! O Baile de Boas-Vindas da equipe de basquete é,

      tipo, m eu baile favorito do ano… depois do Baile de Form atura e do Baile de

      Boas-Vindas Sadie Hawkins, em que as m eninas tiram os m eninos pra dançar…

      Ah, e do Baile de Boas-Vindas da equipe de futebol.

      Baixei o rosto e olhei para ela fazendo graça.

      — Uau, você tem quantos bailes favoritos?

      Jessica não respondeu. Nem riu.

      — Sinto m uito, Jessica. Sei que deve ser terrível pra você… Mas eu tam bém

      não vou. — Não m encionei que considerava bailes escolares um processo

      degradante, ou que eram um desperdício enorm e de tem po e dinheiro. Jessica j á

      conhecia m inha opinião sobre o assunto, e não achei que falar de novo sobre isso

      faria com que ela se sentisse m elhor. Mas eu estava bem feliz em saber que não

      seria a única garota a perder a festa.

      — E se fizéssem os assim : vou pra sua casa e assistim os film es a noite toda.

      Você acha que sua m ãe deixaria?

      Jessica concordou e enxugou os olhos com a m anga da blusa.

      — Sim — disse ela. — Minha m ãe gosta de você. Acha que você é um a boa

      influência pra m im . Ela vai deixar. Obrigada, Bianca. Podem os assistir a Desejo

      e reparação outra vez? Ou j á está cansada desse film e?

      Sim , eu estava m uito cansada dos rom ances bobocas pelos quais a Jessica

      desm aiava, m as podia aguentar. Sorri para ela.

      — Nunca m e canso do Jam es McAvoy. Podem os assistir a Amor e inocência

      se você quiser. Farem os um a sessão dupla.

      Ela sorriu — até que enfim — no m esm o instante em que a professora foi

      para a frente da sala e com eçou a ordenar obsessivam ente os lápis sobre a m esa,

      antes de fazer a cham ada. Jessica deu um a olhada na professora m agricela.

      Quando olhou de volta para m im , novas lágrim as brilharam em seus olhos

      castanho-escuros.

      — Sabe o que é pior, Bianca? — sussurrou. — Eu ia convidar Harrison para

      ir com igo. Agora, tenho de esperar até o Baile de Form atura pra cham á-lo.

      Em respeito ao estado frágil em que Jess se encontrava, decidi não lem brá-

      la de que Harrison não se interessaria por causa dos peitos dela, digam os assim …

      os grandes peitos dela. Em vez disso, eu disse:

      — Eu sei. Sinto m uito, Jessica.

      Assim que aquela pequena crise foi superada, a aula de espanhol correu

      tranquila. As lágrim as da Jessica secaram , e quando o sinal tocou ela estava rindo

      feito um a boba enquanto Angela, um a de nossas am igas, contava sobre seu novo

      nam orado. Descobri que tinha conseguido um A na m inha últim a prueba de

      vocabulario. Além disso, entendi com o conj ugar verbos regulares no presente do

      subj untivo. Realm ente estava de m uito bom hum or quando Jessica, Angela e eu

      deixam os a sala de aula.

      — E ele trabalha no cam pus — tagarelava Angela enquanto abríam os

      cam inho para atravessar o corredor lotado.

      — Onde ele estuda? — perguntei.

      — Na Faculdade Com unitária de Oak Hill. — Ela pareceu um pouco

      envergonhada e, no m esm o instante, acrescentou: — Ele vai tirar um diplom a lá,

      antes de ir pra algum a universidade. E a FCOH não é um a faculdade ruim nem

      nada disso.

      — Eu tam bém vou estudar lá — disse Jessica. — Não quero m e m udar pra

      m uito longe de casa.

      Jessica e eu éram os o oposto um a da outra, e isso às vezes era m eio

      engraçado. Você sem pre poderia saber o que um a de nós ia fazer escolhendo o

      contrário do que a outra tinha feito. Eu queria era dar o fora da Ham ilton o m ais

      rápido possível. Term inada a form atura, no instante seguinte eu iria a Nova York

      para cursar a universidade.

      Mas a ideia de viver tão longe de Jessica — não vê-la saltitante por aí todos

      os dias nem ouvi-la m atraqueando sobre bailes e m eninos gay s — subitam ente

      m e assustou. Eu não sabia m uito bem com o lidar com isso. Jessica e Casey eram

      um a espécie de ponto de equilíbrio para m im . Não tinha certeza de que

      encontraria m ais alguém disposto a aturar o m eu cinism o quando fosse em bora

      da cidade.

      — Precisam os ir pra aula de quím ica, Jess — disse Angela, enquanto

      soprava sua franj a com prida e escura para longe dos olhos. — Você sabe com o o

      sr. Rollins fica quando a gente se atrasa.

      Elas dispararam na direção do departam ento de ciência, e eu desci o

      corredor para a aula de organização política avançada. Minha m ente divagava

      por outros lugares, por um futuro sem m inhas m elhores am igas para m e m anter

      nos eixos. Nunca tinha pensado nisso, e, agora que pensava, a ideia toda m e

      deixava m uito nervosa. Sabia que elas ririam de m im por isso, m as eu teria de

      encontrar um a form a de m e m anter em contato com elas o tem po todo.

      Acho que m eus olhos se desligaram do m eu cérebro, porque quando voltei
    a

      m im , estava esbarrando em Wesley Rush.

      Meu bom hum or acabou ali.

      Cam baleei, e todos os m eus livros e cadernos acabaram no chão. Wesley

      m e segurou pelos om bros, suas m ãos grandes m e contiveram antes que eu

      tivesse a chance de tropeçar em m eus próprios pés e seguir m eu m aterial.

      — Ei, cuidado — disse ele, m antendo-m e de pé.

      Nós estávam os muito perto um do outro. Tive a sensação de que insetos

      rastej avam sob m inha pele, espalhando-se por onde as m ãos dele m e tocavam .

      Estrem eci de desgosto, m as ele interpretou m al m inha reação.

      — Ei, Duff, calm a aí — disse ele, baixando o rosto para m e encarar com

      um sorriso arrogante. Wesley era m esm o m uito alto; tinha m e esquecido disso,

      naquela noite sentada ao lado dele no Nest. Ele era um dos únicos garotos da

      nossa escola m ais alto do que Casey — tinha pelo m enos 1,88 m etro, trinta

      centím etros a m ais do que eu. — Deixo você de pernas bam bas, é isso?

      — Até parece. — Eu m e esprem i para longe dele, sabendo m uito bem que

      tinha falado com o Alicia Silverstone em As patricinhas de Beverly Hills, m as não

      m e im portei com isso. De j oelhos no chão, com ecei a j untar m eus livros, e para

      m eu im enso desprazer Wesley fez a m esm a coisa. Ele estava fazendo seu papel

      de cara bacana, claro. Aposto que esperava que algum a líder de torcida bem

      linda, com o Casey, passasse por ali bem naquele m om ento e pensasse que ele

      estava sendo um cavalheiro. Que noj ento. Sem pre tentando se dar bem .

      — Espanhol, é? — perguntou ele, lendo m eus papéis enquanto os j untava. —

      Você consegue falar algum a coisa legal?

      — El tono de tu voz hace que quiera estrangularme. — Eu m e levantei e

      esperei que Wesley m e desse os papéis que tinha recolhido.

      — Isso parece bem sexy — disse ele, levantando-se e m e entregando a

      pilha de deveres de espanhol que tinha j untado. — O que você acabou de dizer?

      — O tom da sua voz faz com que eu queira me estrangular.

      — Hum , que m enina m alvada.

      Sem dizer m ais nada, arranquei os papéis de suas m ãos, enfiei-os dentro de

      um dos m eus livros e m e afastei, saindo em disparada na direção da sala de aula.

      Precisava m anter a m aior distância possível entre aquele babaca m ulherengo e

      eu. Duff? Jura? Ora, ele sabia m eu nom e! O idiota egocêntrico não podia

     


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