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    Breves

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    Mas ela, na sua total pobreza,

      Chama atenção com as rosas,

      Nobres rosas cultivadas por dedos de ouro!

      Ela, com o intuito de fazer amigos,

      Para que possa livrar-se da nefasta solitude,

      Cuida de seus vasos como anjo.

      (...)

      As plantas crescem por toda parte.

      Existem rosas na porta, no telhado;

      No muro, na estrada.

      Para esta mulher, a senhora enrugada,

      O Mundo é um jardim de rosas

      – E nada mais.

      Preconceito

      Todos paravam defronte à casa.

      Olhavam ao jardim, suspiravam.

      Mas, quando, da soleira da porta,

      A mulher lhes falava

      – "São minhas estas rosas" –,

      Davam de costas, iam-se embora.

      A mulher, vendo-os partir ao longe,

      Enchia-se de ressentimento e dizia:

      "Minhas rosas,

      Vós sois a maravilha.

      Mesmo vocês não nasceriam sozinhas,

      Sem o auxílio de minhas mãos.

      Contudo, sorriem a vós;

      A mim me desprezam."

      Quando isso acontecia,

      Voltava ao interior da casa,

      Pegava o regador

      E enchia-o de água.

      Feito isso, regando as flores,

      Assoviava uma melodia triste.

      A Morte

      Um dia, já nascida a manhã

      (Que nublada estava, por sinal),

      A mulher não saiu para regar as flores.

      E os dias passaram-se seguidos,

      Sem que ela aparecesse fora de casa.

      Lá dentro, num canto sujo,

      Um corpo ressequido e putrefeito jazia.

      (...)

      As rosas sabiam que ela havia morrido.

      E cresceram, cresceram...

      Tomaram conta do casebre;

      Encheram as proximidades com seus ramos.

      E, quando o mausoléu esteve pronto,

      Secaram, morreram, sumiram...

      (...)

      E quem se lembra daqueles tempos,

      Passando em frente ao casebre arruinado,

      Sussurra comovido:

      "A riqueza desta casa não eram as flores,

      Mas a mulher que as regava."

      O Fim

      Nunca há de ser esquecida

      Aquela que um dia fora

      "Uma rosa entre outras várias".

      Posfácio

      Adeus, meu amigo.

      As palavras seriam vãs,

      Se fôssemos perfeitos.

      Mas, se esses versos já não servem,

      Nós os queimaremos.

      Somente nós dois

      Sabemos o que nos faz felizes.

      Quaisquer comentários podem ser enviados ao autor através do endereço eletrônico johnnyvirgil@hotmail.com.

     

     

     



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